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Setembro Lilás: A Relação entre a Fonoaudiologia e a Doença de Alzheimer

E o que a perda auditiva tem a ver com Alzheimer?

A saúde auditiva precisa ocupar um espaço importante quando falamos sobre envelhecimento saudável e prevenção de fatores de risco relacionados à demência.

A perda auditiva não tratada pode dificultar a compreensão da fala, aumentar o esforço necessário para acompanhar conversas e favorecer isolamento social e redução da participação em atividades do cotidiano. A Organização Mundial da Saúde também aponta associação entre perda auditiva não tratada, declínio cognitivo acelerado e maior risco de demência. (Organização Mundial da Saúde)

Isso não significa que toda pessoa com perda auditiva desenvolverá Alzheimer. Também não significa que o uso de aparelho auditivo possa garantir a prevenção da doença.

O ponto importante é outro:a perda auditiva é um dos fatores modificáveis sobre os quais podemos intervir.

Identificar uma alteração auditiva, realizar a avaliação adequada e iniciar a reabilitação quando indicada são atitudes que contribuem para preservar comunicação, interação social e participação nas atividades diárias — aspectos relevantes para a saúde cognitiva ao longo do envelhecimento.

Cuidar da audição também é cuidar do cérebro

Quando uma pessoa não escuta adequadamente, acompanhar uma conversa pode exigir muito mais esforço.

Além disso, a dificuldade de comunicação pode levar a uma redução das interações sociais, das atividades em grupo e dos estímulos cotidianos.

Por isso, cuidar da audição não deve ser pensado apenas como uma maneira de “ouvir melhor”. A saúde auditiva faz parte de uma visão mais ampla de envelhecimento, autonomia, comunicação e saúde cognitiva.

Um grande estudo clínico, o ACHIEVE, acompanhou idosos com perda auditiva durante três anos. Considerando todos os participantes, a intervenção auditiva não reduziu significativamente o declínio cognitivo. Entretanto, entre os idosos que já apresentavam maior risco de declínio cognitivo, o grupo que recebeu intervenção auditiva apresentou uma redução próxima de 50% na velocidade desse declínio. (Institutos Nacionais de Saúde)

Esses resultados reforçam a importância da saúde auditiva dentro das estratégias de redução de risco, especialmente em pessoas mais velhas e com outros fatores associados.

Por que avaliar a audição precocemente?

Não é necessário esperar a dificuldade auditiva se tornar intensa para procurar avaliação.

Durante o envelhecimento, observar a audição precocemente permite identificar alterações que muitas vezes se desenvolvem de maneira gradual e passam despercebidas pela própria pessoa.

Sinais como pedir repetição constantemente, aumentar o volume da televisão, compreender melhor quando está olhando diretamente para quem fala ou apresentar dificuldade principalmente em ambientes com ruído merecem atenção.

Há ainda outro aspecto importante: uma pessoa que não escuta adequadamente pode ter dificuldade para compreender perguntas e executar tarefas durante avaliações cognitivas. Em alguns casos, isso pode interferir no desempenho e dificultar a diferenciação entre uma limitação auditiva e uma alteração cognitiva.

Por isso, diante de queixas de memória, atenção ou comunicação em idosos,avaliar a audição também deve fazer parte do cuidado.

Quando existe perda auditiva, o que pode ser feito?

A avaliação audiológica permite identificar o tipo e o grau da perda auditiva e compreender como ela interfere na rotina.

A partir dos resultados, o acompanhamento pode envolver diferentes estratégias.

Quando há indicação de aparelho auditivo, por exemplo, não se trata apenas de entregar o dispositivo. Adaptação, regulagem, orientação, acompanhamento e reabilitação auditiva fazem parte do processo.

O objetivo é favorecer uma comunicação mais funcional e permitir que a pessoa permaneça participando das conversas, das relações familiares e das atividades que fazem parte de sua vida.

Intervir cedo significa cuidar do que ainda está preservado

Tanto nas alterações auditivas quanto nas alterações cognitivas, esperar que as dificuldades se tornem intensas pode representar perda de oportunidades importantes de intervenção.

No Alzheimer, o acompanhamento precoce permite identificar funções que estão comprometidas e habilidades que ainda permanecem preservadas.

Na saúde auditiva, identificar precocemente uma perda permite começar o acompanhamento antes que a dificuldade de comunicação provoque impactos maiores na rotina.

A partir disso, uma abordagem multiprofissional pode favorecer:

  • comunicação;
  • participação social;
  • autonomia;
  • estímulo cognitivo;
  • orientação de familiares e cuidadores;
  • alimentação e deglutição seguras quando necessário;
  • qualidade de vida.

Prevenção também passa pela audição

Quando falamos sobre demência, não existe uma única medida capaz de impedir seu desenvolvimento.

Porém, existem fatores modificáveis que podem ser acompanhados ao longo da vida, e a saúde auditiva está entre eles. A OMS reconhece a perda auditiva como um dos fatores relacionados ao aumento do risco de demência. (Organização Mundial da Saúde)

Por isso, especialmente a partir da vida adulta e durante o envelhecimento,avaliar a audição periodicamente e tratar alterações quando identificadas deve fazer parte de uma estratégia mais ampla de cuidado com a saúde cerebral.

Não é apenas sobre escutar sons.

É sobre continuar conversando, participando, criando vínculos, recebendo estímulos e mantendo autonomia.

Comunicação, audição e cognição precisam ser cuidadas juntas

Cuidar de uma pessoa com Alzheimer significa olhar muito além da memória.

Comunicação, audição, alimentação, relações familiares, autonomia e participação nas atividades diárias fazem parte dessa trajetória.

E, mesmo antes de existir um diagnóstico de demência, cuidar da audição pode integrar as estratégias de envelhecimento saudável e redução de fatores de risco para declínio cognitivo.

Ao perceber mudanças persistentes na memória, linguagem, comunicação ou audição de uma pessoa idosa, procure orientação profissional.

Na Clínica Escutar, a avaliação fonoaudiológica e auditiva pode contribuir para identificar necessidades e direcionar o acompanhamento adequado para cada paciente.



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